REGISTO PÚBLICO / MÉTODO

Correcções

Um arquivo que nunca se corrige não é rigoroso — é só teimoso. Aqui fica tudo o que estava errado, o que passou a estar escrito, e porquê. Nada desaparece em silêncio.

14 CORRECÇÕES 4 GRAVES ÚLTIMA: 2026-09-03 REGISTO ABERTO

Porque é que esta página existe

A primeira versão deste arquivo foi redigida com apoio de um modelo de linguagem e publicada antes de as afirmações terem sido verificadas uma a uma. A 3 de setembro de 2026 fizemos essa verificação: cada data, nome, lugar e número foi confrontado com fontes primárias — a própria organização, investigação revista por pares, bases discográficas, imprensa contemporânea. O que não resistiu está em baixo.

Publicamos isto por duas razões. A primeira é que um erro corrigido em silêncio continua a circular em quem o leu. A segunda é mais simples: se dizemos que o arquivo é rigoroso, tem de ser possível verificar essa afirmação.

O registo

  1. MENOR /arquivo
    Dizia
    O registo «21 editoras / 122 lançamentos» estava datado de «2000s», como se fosse um documento da época.
    Diz agora
    Passou a estar datado de 2026, identificado como o índice de Portugal do PsyDB, com a data da leitura, a distinção entre chancelas e organizações e o limite de cobertura da base, por volta de 2009.
    Porquê
    A data de um registo de arquivo é a data do documento. Uma leitura feita em 2026 numa base de dados não é um artefacto dos anos 2000, e a contagem só significa algo com a data em que foi lida.
    Fontes
    Portugal — psytrance labels index — PsyDB
  2. GRAVE /arquivo
    Dizia
    O registo «Boom 1997 — primeiro flyer» era descrito como uma reprodução pública com datas, promotores, contactos e alinhamento anunciado.
    Diz agora
    O registo passou a dizer o que a ligação contém: a imagem do flyer reproduzida num artigo da Trancentral de 2016, legendada apenas «Boom Festival first edition flyer – 1997». A página não indica datas, produtoras nem alinhamento. Um original legível continua por localizar.
    Porquê
    A descrição afirmava mais do que a fonte sustenta — foi esta ligação que sustentava a produtora inventada corrigida em 2026-09-03-01. Um índice de arquivo tem de descrever o documento que existe, não o documento que gostaríamos de ter.
    Fontes
    Boom Festival — Trancentral (August 2016)Gallery — edition index — Boom FestivalAlém do quotidiano: a procura de transformação na liminaridade do Boom Festival (Portugal) — Tiago Pereira, Octávio Sacramento & Pedro Gabriel Silva — Sociedade e Cultura, vol. 26 (2023), e73961
  3. Dizia
    O guia de festas não incluía o Union of Freaks 2026 e escrevia o nome do recinto como «Wakiki».
    Diz agora
    Union of Freaks 2026 acrescentado (18–20 de setembro de 2026, Parque de Campismo São Gião, Oliveira do Hospital, por 604 Freaks Productions, com Etnica & Pleiadians a fechar e Dick Trevor presents Green Nuns of the Revolution). O calendário passou a ser gerado a partir de uma lista verificada: cada festa mostra o promotor, o alinhamento que a fonte nomeia, a ligação onde a confirmámos e a data da verificação. Acrescentados também o Krakwua Kall II e o Love Psycodelic Gathering — Spirit of the Woods 2026. O recinto do Neelix escreve-se «Waikiki»; a grafia «Wakiki» é a do título do próprio evento e fica assinalada como tal.
    Porquê
    Faltava no guia o evento mais alinhado com o Goa da primeira geração em todo o calendário, e as entradas não diziam de onde vinham. A Zantara Gathering fica marcada como fontes em conflito: a página do recinto anuncia 10 de outubro, a página do evento ainda mostra a edição de 2025.
    Fontes
    Union of Freaks 2026 — 604 Freaks Productions (Shotgun)Union of Freaks 2026 — GoabaseKrakwua Kall II — ShotgunLove Psycodelic Gathering Spirit of the Woods 2026 — GoabaseZantara — venue page, upcoming events — ShotgunZantara Gathering — event page — ShotgunNeelix Wakiki Closing Night — ShotgunDark Revolution Equinox — ShotgunUniverso Paralello Teaser 2026 — ShotgunPortugal — party and festival listings — GoabaseTrance festivals in Portugal — index — ShotgunMasters Of Puppets — Portugal Teaser 2026 — Shotgun
  4. Dizia
    «21 editoras e 122 lançamentos» era apresentado sem qualificação.
    Diz agora
    O número mantém-se — verificado a 3 de setembro de 2026 — com a nota de que conta selos e não empresas: Flow Records, Flow Vinyl e Hyperflow Records são três entradas da mesma organização, pelo que o total de organizações é 19.
    Porquê
    Um número exacto sem a sua definição é uma meia-verdade.
    Fontes
    Portugal — psytrance labels index — PsyDBFlow Group — About — Flow Records
  5. Dizia
    O índice PsyDB registra um lançamento; a organização de Boom refere também o primeiro CD de trance psicadélico com artistas portugueses.
    Diz agora
    O índice PsyDB registra um lançamento: Various Artists — TPP Ready To Take Off (GMR001, 2002). A segunda afirmação foi retirada.
    Porquê
    Não encontrámos essa afirmação em nenhuma página da Boom, nem na ficha do disco, nem no Discogs. Não a publicamos sem fonte.
    Fontes
    Good Mood Records — catalogue — PsyDB
  6. Dizia
    Life Stream, compilado por Mixtec.
    Diz agora
    Life Stream, compilado por DJ Mixtec.
    Porquê
    É assim que o crédito aparece na ficha do disco.
    Fontes
    Various Artists — Life Stream (DOCD005, 2006) — PsyDB
  7. MATERIAL /zna-gathering
    Dizia
    A edição de 2026 era apresentada como actual, a identidade descrita como «old-school Goa e psytrance … anos 1990 e início dos 2000», e a página afirmava que a ZNA ocupa uma posição diferente da Boom.
    Diz agora
    A edição de 2026 realizou-se de 15 a 22 de julho de 2026, na Barragem de Montargil, Portalegre, e já terminou; a página está no passado. Toda a linguagem temporal da própria ZNA remete para os anos 1990 — «early 2000s» foi retirado. A ZNA descreve-se como «retro-futurista», com o programa de 2026 dividido em Goa Guardians, Retro Universe e Futuristic Reality. A comparação com a Boom está agora marcada como leitura editorial nossa: a única referência da ZNA à Boom é de ascendência comum, não de contraste.
    Porquê
    Um guia que apresenta um festival terminado como próximo não é utilizável. E atribuir à ZNA uma posição que ela não afirma é pôr palavras na boca da fonte.
    Fontes
    ZNA Gathering — mission, history and programme — Zambu Productions LdaWhat is ZNA? — Zambu Productions LdaZNA Gathering — Zambu Temple dancefloor programme — Zambu Productions Lda
  8. MATERIAL /fontes
    Dizia
    O capítulo de Paula Guerra era citado a partir da citação automática da Academia.edu, que atribui a edição do livro à pessoa errada. «Psycultures: The Globalization of Goatrance» era listado como fonte académica do Institute of Network Cultures.
    Diz agora
    Citação corrigida: Paula Guerra, «Flying Away», in Exploring Psychedelic Trance and Electronic Dance Music in Modern Culture, ed. Emília Simão, Armando Malheiro da Silva e Sérgio Tenreiro de Magalhães (IGI Global, 2015), pp. 307–334, DOI 10.4018/978-1-4666-8665-6.ch013. «Psycultures» é uma entrevista de blogue de Geert Lovink a Graham St John (30 de agosto de 2013), não um artigo revisto por pares, e passou a estar identificada como tal.
    Porquê
    Uma citação errada é um erro de arquivo, mesmo quando o facto citado está certo. E apresentar uma entrevista de blogue como literatura académica inflaciona indevidamente o peso da prova.
    Fontes
    Flying Away: Electronic Dance Music, Dance Culture, Psytrance, and New Sounds in Portugal — Paula Guerra, in Exploring Psychedelic Trance and Electronic Dance Music in Modern Culture, ed. Emília Simão, Armando Malheiro da Silva & Sérgio Tenreiro de Magalhães (IGI Global, 2015), pp. 307–334
  9. Dizia
    A investigação de Paula Guerra situa […] a passagem progressiva das raves em armazém urbano para as festas na floresta.
    Diz agora
    Guerra escreve que o trance «started appearing outdoors in secluded places» — ao ar livre, em lugares recolhidos. Os armazéns de Lisboa e do Porto que descreve são o contexto de house e techno da época, não raves de trance a migrar. A palavra «floresta» não aparece no texto dela.
    Porquê
    «Festas na floresta» era uma glosa nossa apresentada como conclusão académica. «Forest» é além disso um subgénero de psytrance, o que agravava a confusão.
    Fontes
    Flying Away: Electronic Dance Music, Dance Culture, Psytrance, and New Sounds in Portugal — Paula Guerra, in Exploring Psychedelic Trance and Electronic Dance Music in Modern Culture, ed. Emília Simão, Armando Malheiro da Silva & Sérgio Tenreiro de Magalhães (IGI Global, 2015), pp. 307–334
  10. Dizia
    O ritmo bienal era apresentado como ininterrupto.
    Diz agora
    Não foi ininterrupto. A edição de 2020 foi adiada para 2021 e depois para 2022: não houve festival em 2019, 2020 nem 2021. Seguiram-se edições consecutivas em 2022 e 2023 porque a organização decidiu passar para anos ímpares, o que deixou 2024 sem edição.
    Porquê
    Omitir a interrupção pandémica e a mudança para anos ímpares tornava a cronologia enganadora.
    Fontes
    Organização do Boom Festival remarca evento para julho de 2021 — Observador (31 March 2020)Boom Festival adiado para Julho de 2022 — PÚBLICO (25 March 2021)Boom Festival regressa a Idanha-a-Nova com nova edição em 2023 — Notícias ao MinutoGallery — edition index — Boom Festival
  11. Dizia
    A edição seguinte realizou-se em 1998; depois, o festival adoptou um ritmo bienal. Começou na Herdade do Zambujal, em Setúbal; mudou-se para Idanha-a-Nova em 2002.
    Diz agora
    Houve três edições na Herdade do Zambujal — 1997, 1998 e 2000 — antes da mudança para Idanha-a-Nova em 2002. O ritmo bienal começa com a edição de 1998.
    Porquê
    A organização escreve «In 2002, after hosting two more editions in Setúbal» — duas para além da primeira, ou seja 1998 e 2000. A edição de 2000 está documentada de forma independente (11–16 de agosto de 2000, Herdade do Zambujal) e faltava por completo nesta página.
    Fontes
    What Are the Roots of Boom? — Boom Festival / Good Mood LdaGallery — edition index — Boom FestivalBoom Festival 2000 — Goabase
  12. GRAVE /sobre-cyberculture
    Dizia
    A Cyberculture tornou-se liderada por psytrance a partir de 1997, sob Steve Baird / Cydonia Records.
    Diz agora
    A loja foi vendida em 1997 a Steve Baird, descrito pela AudioCulture como promotor de psytrance da Cydonia Records. O que aconteceu à loja depois dessa venda não está documentado em nenhuma fonte que possamos consultar, incluindo a data de fecho.
    Porquê
    O único elemento de psytrance nas fontes é o adjectivo aplicado ao comprador. Nenhuma fonte diz que a loja passou a ser de psytrance. A trajectória documentada de género termina em «cada vez mais techno depois de 1995».
    Fontes
    Lost record stores of inner Auckland — Simon Grigg — AudioCulture (published 3 January 2015, updated 4 May 2023)
  13. GRAVE /sobre-cyberculture
    Dizia
    Burgoyne abriu depois a Soulsonic; Weston passou a operar como The Area.
    Diz agora
    Weston saiu do negócio das lojas de discos em 1996, um ano antes da venda, para se dedicar à sua editora e promotora PULSE, que operava a partir do mesmo espaço desde o final de 1994. Rebaptizou esse negócio como The Area em 1998. Burgoyne abriu depois a Soulsonic.
    Porquê
    A formulação anterior sugeria que Weston deu continuidade à loja depois da venda de 1997. A fonte diz o contrário: ele saiu em 1996 e o que rebaptizou em 1998 foi a sua própria editora, não a Cyberculture.
    Fontes
    Lost record stores of inner Auckland — Simon Grigg — AudioCulture (published 3 January 2015, updated 4 May 2023)
  14. GRAVE /magic-forest-setubal
    Dizia
    Uma reprodução pública do primeiro flyer indica 14–16 de agosto de 1997, três dias ao ar livre, e credita Good Mood Productions e Monogatari Productions.
    Diz agora
    Removido. A produtora do primeiro Boom foi a Good Mood, confirmado pela própria organização. As datas exactas de agosto de 1997 e a duração de três dias não estão confirmadas por nenhuma fonte que possamos consultar.
    Porquê
    «Monogatari Productions» não aparece em nenhuma fonte. A página da Trancentral citada como prova não indica datas nem produtoras — apenas reproduz o flyer com a legenda «Boom Festival first edition flyer – 1997». Era uma afirmação inventada com uma citação que não a sustenta.
    Fontes
    Boom Festival — Trancentral (August 2016)What Are the Roots of Boom? — Boom Festival / Good Mood Lda

Lacunas conhecidas

Estas coisas não sabemos, e não as inventamos. Se tiveres documentação sobre qualquer uma delas, é exactamente isso que o arquivo precisa.

  • As datas exactas da primeira Boom, em agosto de 1997, não estão confirmadas por nenhuma fonte que possamos consultar. A circular «14, 15, 16 de agosto» aparece numa publicação da própria organização numa rede social que não conseguimos citar de forma estável.
  • As datas da edição de 1998 não estão documentadas em nenhuma fonte encontrada.
  • Nenhuma fonte académica nomeia uma festa, promotor, recinto ou colectivo das primeiras raves de 1994 em Portugal. Guerra dá o ano e mais nada.
  • Nada documenta o que aconteceu entre 1994 e a primeira Boom em 1997: sem festas intermédias, sem nomes, sem recintos.
  • Nenhum armazém de Lisboa ou do Porto é nomeado nas fontes académicas.
  • A data de fecho da loja Cyberculture, em Auckland, e o destino do negócio depois da venda de 1997 não estão documentados.
  • Anos de fundação e fundadores da maioria das editoras portuguesas não constam de nenhuma fonte primária — só o ano do primeiro lançamento.
  • Há um intervalo real de cerca de dez meses no calendário verificável de festas em Portugal, entre outubro de 2026 e agosto de 2027. É uma lacuna das listagens, não da pesquisa, e vai preenchendo-se com o tempo.
  • Não há um original legível do flyer da primeira Boom. O que existe publicado é a imagem reproduzida num artigo de 2016, legendada apenas «Boom Festival first edition flyer – 1997», sem datas nem produtoras.

AJUDAR A FECHAR UMA LACUNA →

A regra

  • Um facto histórico precisa de uma fonte publicada, ou de duas testemunhas identificadas e independentes.
  • A memória oral entra no arquivo como testemunho, identificada como tal, antes de ser tratada como facto.
  • Quando as fontes se contradizem, publicamos as duas e dizemos qual é primária. Não escolhemos a versão mais bonita.
  • Números exactos vêm com a definição e a data em que foram lidos.
  • Uma citação tem de sustentar aquilo a que está anexada. Verificamos isso, não presumimos.
  • Datas de eventos têm data de verificação e ligação ao promotor. Um evento que já passou é escrito no passado.

DROP 001 / EDIÇÃO NUMERADA / SÓ PARA O SINAL

O primeiro drop está selado.

Uma edição numerada de objetos feitos para quem lá esteve — e para quem gostava de ter estado. O conteúdo fica classificado até a lista abrir. Quem está no Sinal recebe acesso primeiro, antes de toda a gente, e a edição não volta.

EDIÇÃO
Numerada, fecha quando esgota
PRODUÇÃO
Pequena, acabada à mão
ORIGEM
Portugal ↔ Aotearoa
ESTADO

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