Antes do Facebook, antes do telemóvel, antes sequer de haver mapa: um pedaço de papel fluorescente passado à mão dizia onde era, a que horas e quem tocava. Era o único meio de distribuição que existia. Esta página é o que se lê nesses papéis — as regras de desenho, década a década, e onde estão hoje guardados.
Aparece o ilustrador. O flyer passa a ser uma pintura reproduzida, e o alinhamento passa a ser o de um cartaz de concerto: tudo ao centro, tamanhos a descer.
01Um sol radiante com cara é o motivo mais repetido de toda a década.
02Fundos violeta, índigo e magenta, pintados ou aerografados. Iconografia hindu, tigres, cogumelos.
03Maiúsculas com biselado, contorno e sombra dura, muitas vezes em dourado ou creme.
04O alinhamento é o cartaz: cada nome na sua linha, ao centro, a diminuir de tamanho.
05Asteriscos e pontos como separadores — *luz inteligente*sistema de 18k*mercado fluorescente* — nunca fios nem ícones.
06Informação até à margem: horas, preços, números de telefone, potência do sistema de som, e o nome de quem imprimiu, em corpo minúsculo no rodapé.
Visto em: Grécia, anos 90 · França, 1996 · Goa, 1996 · Israel, 1997 · Israel, 1998
1999 — 2007
Renderizado
O Photoshop chega. Fractais, mandalas geradas, espaço profundo, tipos cromados com brilho. A densidade e o alinhamento ao centro mantêm-se; muda a ferramenta.
01Fluorescentes UV sobre preto, para ler debaixo de luz negra tal como a decoração da pista.
02Geometria recursiva e mandalas geradas em vez de desenho à mão.
03Tipo com cromado, biselado e halo; texto na vertical a subir por uma das margens.
Visto em: Estados Unidos, 1998 · Goa, 1999
O QUE NÃO ESTÁ AQUI, E PORQUÊ
Não guardamos nem republicamos os flyers em si. Cada um é obra de quem o desenhou, e quase nenhum tem licença que nos deixe copiá-lo. O que fazemos é o que se pode fazer com honestidade: descrever o que as peças mostram, dizer onde as vimos, e mandar-te aos arquivos que as têm. Os desenhos desta página — o sol, os raios, a moldura — são nossos, feitos por geometria, e não decalcados de nada.
Base de dados pesquisável de flyers de rave old skool, por título, local, organizador, sala, designer e ano, de 1980 a 2026, em nove géneros. Descreve-se como a maior do mundo.
Cerca de 40 000 flyers, cartazes e bilhetes digitalizados, de meados dos anos 80 ao início dos anos 2000, e cerca de 250 000 peças ainda por digitalizar. Aceitam material por correio.
Mais de 200 000 peças de efémera desde 1840, com força declarada em cultura popular e entretenimento. Aceitam ofertas de material: é assim que um flyer neozelandês fica guardado a sério.
Museu britânico de cultura juvenil; escreve sobre o trabalho de arquivar flyers de rave e sobre a colecção Phatmedia.
TENS UM NA GAVETA?
Um flyer de uma festa portuguesa dos anos 90 é hoje mais raro do que a música dessa festa. Se tens um, o melhor sítio para ele não somos nós — é a Biblioteca Nacional em Portugal e a Turnbull na Nova Zelândia, que os guardam para sempre e aceitam ofertas. Mas manda-nos uma digitalização na mesma: pomos a peça no registo, com o teu crédito, e dizemos onde está o original.
Colecção de flyers digitalizados, legendados por país e ano — Goa, Israel, Grécia, França, Estados Unidos, 1990–1999. É a fonte directa de quase todas as observações desta página, incluindo a explicação de que, sem telemóveis nem redes sociais, o flyer era o próprio meio de distribuição.
Base de dados britânica de flyers de rave, pesquisável por título, local, organizador, sala, designer e ano, cobrindo 1980–2026 em nove géneros. Descreve-se como a maior do mundo. Publicou também um livro impresso, «Phatmedia UK Rave Flyers 1988-1989», pela Velocity Press.
Cerca de 40 000 flyers, cartazes e bilhetes já digitalizados, dos Estados Unidos, Reino Unido e resto do mundo, de meados dos anos 80 ao início dos anos 2000 — e cerca de 250 000 peças ainda por digitalizar. As páginas de cada flyer são abertas; as galerias pedem registo gratuito. Aceitam doações de material por correio.
Mais de 200 000 peças de efémera desde a década de 1840 até hoje, com força declarada em «teatro e entretenimento» e «cultura popular». Os originais consultam-se na Katherine Mansfield Reading Room; parte está digitalizada e visível na vista de galeria do catálogo. A biblioteca aceita ofertas de material — é o caminho para um flyer neozelandês ficar guardado para sempre.
A colecção de cartazes da Biblioteca Nacional. É onde um cartaz português entra no depósito legal — o equivalente português do que a Turnbull faz na Nova Zelândia.
Blogue português dedicado à música de dança dos anos 90, com bilhetes, flyers e fotografias digitalizados. Este artigo cobre 1998 e nomeia salas e datas concretas — Rock's em Vila Nova de Gaia com Carl Cox e Jeff Mills, a digressão «A Week in a Paradise Called Portugal 98», a Kadoc no Algarve, o Impacto Scala perto de Lisboa. É clubbing e dance, não psytrance, mas é a documentação mais próxima que existe do mesmo período em Portugal.
O museu britânico de cultura juvenil escreve sobre o arquivo Phatmedia e sobre o trabalho de preservar flyers de rave de 1988–89.
Consultada 2026-09-05
Uma afirmação sem fonte não fica nesta página como se fosse um facto. Onde a prova não existe, dizemos que não existe. Se encontrares um erro, escreve-nos pela página Contribuir — corrigimos e registamos a correção com data.
DROP001Nº ___
DROP 001 / OBJECTOS DO REGISTO / O SINAL PRIMEIRO
Um pedaço do registo, na mão.
Uma edição pequena e numerada de objectos físicos feitos a partir do arquivo, à mão, entre Portugal e Aotearoa. O Sinal sabe primeiro: um email, uma transmissão quando estiver pronto, o teu número na lista.
EDIÇÃO
Numerada à mão
FEITO
Portugal ↔ Aotearoa
FINANCIA
O arquivo · história gratuita
ACESSO
O Sinal primeiro
Não precisas de dar o email para usar nada disto: o arquivo é aberto, a máquina toca sem registo e o pack de 24 padrões MIDI é domínio público.
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