CARTAZES / FLYERS / BILHETES

O flyer era a festa

Antes do Facebook, antes do telemóvel, antes sequer de haver mapa: um pedaço de papel fluorescente passado à mão dizia onde era, a que horas e quem tocava. Era o único meio de distribuição que existia. Esta página é o que se lê nesses papéis — as regras de desenho, década a década, e onde estão hoje guardados.

3 ÉPOCAS 1990 — 2007 7 ARQUIVOS PÚBLICOS VERIFICADO 05.09.2026

1990 — 1994

Feito à mão, fotocopiado

Marcador e esferográfica sobre papel fluorescente, fotocopiado e distribuído por amigos. Sem orçamento, sem tipografia, sem impressor.

  1. 01Uma só cor de papel — verde-limão, amarelo, laranja fluorescente — e uma só cor de tinta: preto. A cor está no papel, não na tinta.
  2. 02Letras desenhadas à mão, irregulares, com a linha de base a subir e a descer. Nada é composto.
  3. 03Uma moldura desenhada à volta de tudo, feita de um pequeno motivo repetido: círculos, espirais, pontos.
  4. 04Raios de sol atrás do texto, riscados à régua ou à mão livre.
  5. 05Caras sorridentes, estrelas, símbolos om. Amarrotado, rasgado, colado com fita.

Visto em: Goa, anos 90 · Israel, 1990 · Israel, 1994

1994 — 1999

Pintado e aerografado

Aparece o ilustrador. O flyer passa a ser uma pintura reproduzida, e o alinhamento passa a ser o de um cartaz de concerto: tudo ao centro, tamanhos a descer.

  1. 01Um sol radiante com cara é o motivo mais repetido de toda a década.
  2. 02Fundos violeta, índigo e magenta, pintados ou aerografados. Iconografia hindu, tigres, cogumelos.
  3. 03Maiúsculas com biselado, contorno e sombra dura, muitas vezes em dourado ou creme.
  4. 04O alinhamento é o cartaz: cada nome na sua linha, ao centro, a diminuir de tamanho.
  5. 05Asteriscos e pontos como separadores — *luz inteligente*sistema de 18k*mercado fluorescente* — nunca fios nem ícones.
  6. 06Informação até à margem: horas, preços, números de telefone, potência do sistema de som, e o nome de quem imprimiu, em corpo minúsculo no rodapé.

Visto em: Grécia, anos 90 · França, 1996 · Goa, 1996 · Israel, 1997 · Israel, 1998

1999 — 2007

Renderizado

O Photoshop chega. Fractais, mandalas geradas, espaço profundo, tipos cromados com brilho. A densidade e o alinhamento ao centro mantêm-se; muda a ferramenta.

  1. 01Fluorescentes UV sobre preto, para ler debaixo de luz negra tal como a decoração da pista.
  2. 02Geometria recursiva e mandalas geradas em vez de desenho à mão.
  3. 03Tipo com cromado, biselado e halo; texto na vertical a subir por uma das margens.

Visto em: Estados Unidos, 1998 · Goa, 1999

O QUE NÃO ESTÁ AQUI, E PORQUÊ

Não guardamos nem republicamos os flyers em si. Cada um é obra de quem o desenhou, e quase nenhum tem licença que nos deixe copiá-lo. O que fazemos é o que se pode fazer com honestidade: descrever o que as peças mostram, dizer onde as vimos, e mandar-te aos arquivos que as têm. Os desenhos desta página — o sol, os raios, a moldura — são nossos, feitos por geometria, e não decalcados de nada.

ONDE ESTÃO GUARDADOS

Os arquivos públicos

Reino Unido

Phatmedia ↗

Base de dados pesquisável de flyers de rave old skool, por título, local, organizador, sala, designer e ano, de 1980 a 2026, em nove géneros. Descreve-se como a maior do mundo.

Estados Unidos e mundo

Rave Preservation Project ↗

Cerca de 40 000 flyers, cartazes e bilhetes digitalizados, de meados dos anos 80 ao início dos anos 2000, e cerca de 250 000 peças ainda por digitalizar. Aceitam material por correio.

Goa, Israel, Grécia, França

Trancentral ↗

A colecção de flyers de Goa trance digitalizados que está por trás de quase tudo o que esta página afirma, legendada por país e ano, de 1990 a 1999.

Aotearoa Nova Zelândia

Alexander Turnbull Library ↗

Mais de 200 000 peças de efémera desde 1840, com força declarada em cultura popular e entretenimento. Aceitam ofertas de material: é assim que um flyer neozelandês fica guardado a sério.

Portugal

M.D.A.90s ↗

Bilhetes, flyers e fotografias digitalizados da música de dança portuguesa dos anos 90 — clubbing e não psytrance, mas o mesmo período e o mesmo país.

Reino Unido

Museum of Youth Culture ↗

Museu britânico de cultura juvenil; escreve sobre o trabalho de arquivar flyers de rave e sobre a colecção Phatmedia.

TENS UM NA GAVETA?

Um flyer de uma festa portuguesa dos anos 90 é hoje mais raro do que a música dessa festa. Se tens um, o melhor sítio para ele não somos nós — é a Biblioteca Nacional em Portugal e a Turnbull na Nova Zelândia, que os guardam para sempre e aceitam ofertas. Mas manda-nos uma digitalização na mesma: pomos a peça no registo, com o teu crédito, e dizemos onde está o original.

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Última verificação

  1. SECUNDÁRIA Old Goa Trance Party Flyers Trancentral

    Colecção de flyers digitalizados, legendados por país e ano — Goa, Israel, Grécia, França, Estados Unidos, 1990–1999. É a fonte directa de quase todas as observações desta página, incluindo a explicação de que, sem telemóveis nem redes sociais, o flyer era o próprio meio de distribuição.

    Consultada 2026-09-05

  2. BASE DE DADOS Phatmedia — old skool rave flyer archive Phatmedia

    Base de dados britânica de flyers de rave, pesquisável por título, local, organizador, sala, designer e ano, cobrindo 1980–2026 em nove géneros. Descreve-se como a maior do mundo. Publicou também um livro impresso, «Phatmedia UK Rave Flyers 1988-1989», pela Velocity Press.

    Consultada 2026-09-05

  3. BASE DE DADOS Rave Preservation Project Rave Preservation Project

    Cerca de 40 000 flyers, cartazes e bilhetes já digitalizados, dos Estados Unidos, Reino Unido e resto do mundo, de meados dos anos 80 ao início dos anos 2000 — e cerca de 250 000 peças ainda por digitalizar. As páginas de cada flyer são abertas; as galerias pedem registo gratuito. Aceitam doações de material por correio.

    Consultada 2026-09-05

  4. FONTE PRIMÁRIA Ephemera Collection, Alexander Turnbull Library National Library of New Zealand

    Mais de 200 000 peças de efémera desde a década de 1840 até hoje, com força declarada em «teatro e entretenimento» e «cultura popular». Os originais consultam-se na Katherine Mansfield Reading Room; parte está digitalizada e visível na vista de galeria do catálogo. A biblioteca aceita ofertas de material — é o caminho para um flyer neozelandês ficar guardado para sempre.

    Consultada 2026-09-05

  5. FONTE PRIMÁRIA Cartazes — Biblioteca Nacional de Portugal Biblioteca Nacional de Portugal

    A colecção de cartazes da Biblioteca Nacional. É onde um cartaz português entra no depósito legal — o equivalente português do que a Turnbull faz na Nova Zelândia.

    Consultada 2026-09-05

  6. SECUNDÁRIA Bilhetes, flyers e fotos de 1998 M.D.A.90s

    Blogue português dedicado à música de dança dos anos 90, com bilhetes, flyers e fotografias digitalizados. Este artigo cobre 1998 e nomeia salas e datas concretas — Rock's em Vila Nova de Gaia com Carl Cox e Jeff Mills, a digressão «A Week in a Paradise Called Portugal 98», a Kadoc no Algarve, o Impacto Scala perto de Lisboa. É clubbing e dance, não psytrance, mas é a documentação mais próxima que existe do mesmo período em Portugal.

    Consultada 2026-09-05

  7. SECUNDÁRIA An Archivist's Diary: Phatmedia Museum of Youth Culture

    O museu britânico de cultura juvenil escreve sobre o arquivo Phatmedia e sobre o trabalho de preservar flyers de rave de 1988–89.

    Consultada 2026-09-05

Uma afirmação sem fonte não fica nesta página como se fosse um facto. Onde a prova não existe, dizemos que não existe. Se encontrares um erro, escreve-nos pela página Contribuir — corrigimos e registamos a correção com data.

DROP 001 / OBJECTOS DO REGISTO / O SINAL PRIMEIRO

Um pedaço do registo, na mão.

Uma edição pequena e numerada de objectos físicos feitos a partir do arquivo, à mão, entre Portugal e Aotearoa. O Sinal sabe primeiro: um email, uma transmissão quando estiver pronto, o teu número na lista.

EDIÇÃO
Numerada à mão
FEITO
Portugal ↔ Aotearoa
FINANCIA
O arquivo · história gratuita
ACESSO
O Sinal primeiro

Sem spam. Uma transmissão quando abrir. Sair com um clique.

Não precisas de dar o email para usar nada disto: o arquivo é aberto, a máquina toca sem registo e o pack de 24 padrões MIDI é domínio público. Abrir a máquina →