Viajantes, praia, cassetes
Goa tornou-se um ponto de encontro de viajantes internacionais depois do fim dos anos 1960. As festas não começaram com trance: rock psicadélico, reggae, disco, industrial, new wave e eletrónica foram entrando em sucessivas vagas.
Cassetes e edições privadas permitiam alterar a duração e a ordem da música. O DJ funcionava como editor e transportador: uma rede física de pessoas movia o repertório muito antes da internet.
Nós da rede
Tecnologia em circulação
O que está documentado
A investigação revista por pares dá nomes e datas a este período. Eight Finger Eddie, baixista de jazz, chega a Goa em 1966 e é descrito como o instigador da cena. Goa Gil chega em 1970, vindo de São Francisco, à procura dele.[01]
A primeira temporada de Gil como DJ é a de 1973–74, a tocar cassetes «da varanda de uma casa qualquer» em Anjuna, com uma mala de gravações de rock psicadélico, soul, jazz e blues. Na temporada seguinte usa um pequeno sistema Fender com gerador emprestado por um amigo; em 1977 consegue uma mesa de mistura estéreo a sério, com várias entradas.[01]
Não é uma cena de trance: é uma cena de festas onde a música muda de década a década, e onde o DJ funciona como editor e estafeta. As cassetes permitem cortar, encurtar e reordenar — a montagem faz-se muito antes de existir software para isso.[01]
Outros nomes documentados do período: Fred Disko, que dá festas no Nepal em 1985 e na Tailândia em 1987; Laurent, DJ francês activo entre 1984 e 1993; e Ray Castle, de Auckland, que partilha temporada com Gil em 1991 — a primeira ligação documentada entre Goa e a Nova Zelândia.[01]
O que não sabemos: nenhuma fonte que encontrámos dá uma primeira utilização datada do termo «Goa trance», nem separa uma fase de bobines de uma fase de cassetes. A literatura fala de cassetes ao longo de todos os anos 70.[01]